segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Cartas para ele: Contentação.

    
    Nunca fui de sentir pouco, gostar mais ou menos ou me entregar pela metade. Comigo sempre foi aquele famoso clichê do 8 ou 80, "vai ou racha"; Nunca gostei dos meios: meias conversas, meios gestos, meio termos... intensa, desde que me entendo por gente, ao me interessar por alguma coisa ou eu ficava extremamente obcecada ou então 100% nem ai. Tamanha a intensidade que às vezes me perco na minha imensidão de sentimentos e sensações, e tudo isso se multiplica quando eu me apaixono, ai meu amigo não tem por onde, é como pular de um precipício no ponto mais alto do meu impeto subconsciente, posso chegar a achar que estou voando, quando na verdade estou em queda livre.
    Estou lhe contando tudo isso para você ver que não foi fácil admitir que terminei me apaixonando por você, porque, como lhe disse, aqui dentro de mim é tudo intenso, inclusive a teimosia. Também não foi fácil porque eu sempre me apaixonava rápido demais e consequentemente me decepcionava e machucava na mesma velocidade, e não quis que com você fosse do mesmo jeito então tentei ao máximo desacelerar o meu ritmo. Foi uma tortura.
    Tentei não me apaixonar pelo jeito que você sorri apertando os olhos, pela sua voz lenta, calma e com esse seu sotaque quase melódico, pelo jeito como me encara enquanto prendo meu cabelo num coque, com seus tantos sinais que parecem pequenas constelações na sua pele, por todas as vezes que me oferecia seu açaí com bastante paçoca e calda de chocolate,  pelo seu humor sarcástico comentando o tamanho das minhas bochechas, pelo jeito que beijava minha testa ao se despedir, pelas mensagens de bom dia, boa tarde e boa noite e assim como os "se cuida", " tenha cuidado" e "dorme bem". Tentei não me apaixonar pelo seu jeito sem jeito todo desajeitado, juro como tentei, mas foi todo um esforço em vão, tentar não me apaixonar por você só me deixava mais apaixonada ainda, se é que era possível.
    E eu fiquei extremamente com raiva com o jeito que você mexia comigo, por muitas vezes fiquei me perguntando onde eu errei, em que parte exatamente da história eu vacilei e essas coisas, porque o objetivo principal, por mais bobo que pareça, era não me apaixonar e eu falhei. Fiquei com raiva principalmente porque tive medo, medo de prosseguir, "despausar" a minha intensidade e deixar rolar, tive medo de acabar com mais uma decepção pra lista, porque esse é o grande segredo e a maior fraqueza das pessoas intensas demais: nunca encontrar alguém que seja compatível a essa intensidade. 
    Mas você me tranquilizava dizendo "Não tenha medo de ser direta" foi quando eu percebi que não precisava desacelerar meu ritmo coisa nenhuma e não precisava me conter nem um pouco, foi exatamente o que fiz. Toda vez que eu te achar bonito vou dizer, seja fazendo o que for, como for, onde for, não vou me segurar e vou dizer o que está bonito em você. Se me falar algo que me faça rir vou pedir pra repetir até minha barriga doer. Toda vez que me beijar uma vez só, vou pedir pra repetir até que eu fique sem ar. Toda vez que você colocar aquele perfume maravilhoso que eu adoro eu vou ficar no seu cangote a noite toda sim, se acostume. Se você começar a me achar maluca vou dizer que o maluco é você por gostar de normalidade. Se me pedir pra falar sobre você, não vou exitar e vou escrever uma carta pra lhe contar todos os motivos pelo qual você me fez ficar apaixonada sem querer, como essa aqui.
Beijos e até breve.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Espero terminar esse texto um dia.

O que eu mais temia aconteceu, meu amor e carinho por você ter se tornado tão grande a ponto de doer só de pensar em te esquecer, E aqui estou eu parada, ridiculamente chorando por ter ouvido tudo que eu já sabia mas não queria aceitar, e ainda não consigo, mesmo depois de você próprio ter me dado motivos pra ir embora, você mesmo, dessa vez não foi ninguém ou minha cabeça inventando paranoias malucas, foi da sua boca que saiu aquelas palavras, e me magoaram de um jeito que eu nem consegui acreditar. E mesmo com o nivel mais baixo de expectativas eu ainda fiquei decepcionada.
[Parou o texto aqui por não conseguir achar palavras pra explicar o que estava sentindo, botou "Janta" dos Los Hermanos pra tocar e foi dormir chorando. Estava envergonhada e magoada demais para escrever sobre si mesma e só queria dormir e fingir que foi tudo um pesadelo e sua vida ainda estava colorida.]

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Cartas para ele: Aceitação

 
 A verdade é que eu sempre estive com um pé atrás em relação a você, eu segurava em sua mão com a minha mão direita mas a esquerda estava coçando a pulguinha atrás da orelha. Por muito tempo achei que fosse apenas paranoia ou ciúmes exacerbado e pensava comigo mesma "Meu Deus, eu preciso parar de ser assim." mas não era nada disso. 

    Eu nunca consegui de fato dizer "eu confio em você", durante todo o relacionamento nunca me senti tão segura a ponto de me jogar de costas sabendo que você iria me pegar " será que ia mesmo?" eu me perguntava esses e outros mil questionamentos de confiança, eu sabia que existia um motivo porém só não conseguia entender ainda. Minha intuição me dizia o tempo todo que algo estava errado, que algo não se encaixava e eu ignorando, ignorando... aquela ligação que você atendia longe de mim, aquelas mensagens que você não abria quando estava comigo, o olhar vago e de desinteresse aparente, os "eu estou cansado" e "que tal outro dia?" que vez ou outra apareciam. Depois de um tempo, nada mais parecia certo entre nós dois, as brigas eram cada vez mais recorrentes, eu parei de ignorar os sinais e comecei a entender porque eu não me sentia segura com você.
    Talvez eu não fosse prioridade na sua vida, talvez você acabou se tornando prioridade da minha, talvez eu tivesse depositado expectativas muito altas em você, talvez você fosse o cara errado na hora errada, talvez não fosse você fosse eu, talvez eu não precisasse de você o tanto quanto achei que precisava, talvez conviveremos melhor separados, talvez não era pra ser. E não foi.


    Eu gosto muito de você, mas acho que já vivemos nossos momentos, já aprendemos o que tínhamos pra aprender um com o outro, deixamos nossas marcas e fizemos história. Infelizmente você nunca me passou segurança e eu não conseguia enxergar um futuro com alguém assim. Dizem que algumas pessoas são destinadas a se encontrarem e se apaixonarem, mas isso não significa dizer que ficarão juntas pra sempre. Talvez sejamos uma dessas pessoas.
Eu torço muito pelo seu sucesso, de coração.
Abraços.

sábado, 26 de março de 2016

Cartas para ele: Estágio um - Raiva

           
    Eu odeio você, odeio toda essa sua indiferença, esse desafeto e essa sub-autoridade que acha que tem, odeio o modo como você me trata achando que eu sempre estou algum lugar parada lhe esperando voltar, e você precisa parar de me tratar desse jeito achando que pode sumir e voltar a hora que quiser e que nada está errado, pois está sim, tudo errado, sempre esteve... se até o porteiro do meu prédio percebe toda essa ventania do nosso relacionamento porque você não?
    Não suporto essas suas demoras, parece que eu sempre estou em segundo, terceiro, quarto plano e etc, nunca fui uma prioridade na sua vida, todas as outras coisas parecem ser mais importante do que tirar um tempinho para me ver, e o que é um dia na sua via? Um dia que você simplesmente poderia tirar para me encontrar porque tenho certeza que nem todos os 365 dias do ano você está ocupado, tenho certeza que existe um dia ou dois até que você faz vários nadas e reclama de está no tédio quando poderia me encontrar. Eu odeio essa sua preferência de manter tudo a distância, de deixar como estar e odiar mudanças, você diz o tempo todo que está com saudades mas eu não acredito, parei de acreditar quando percebi que você não faz nenhum esforço para me encontrar.
    Eu odeio ainda mais ficar aqui lamentando sua falta, reclamando dos seus defeitos e rejeitando decisões precipitadas porém certas, de como por exemplo deixar esse relacionamento. Eu não consigo. E o que eu mais odeio é não conseguir deixar você partir, mesmo que todas as forças do universo gritem que essa é a coisa certa a fazer, eu não consigo porque eu amo você, e eu odeio isso também.
Você não merece beijos.
Atenciosamente:  Eu

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Até quem me vê na fila do pão sabe que eu te esqueci.

    Levantei as 6:04 naquela segunda de verão ensolarada, não era meu usual mas eu queria aproveitar o dia, troquei de roupa desci até a banca de revista na frente do prédio para pegar o jornal, coisa também que geralmente eu não lia, caminhei até a padaria mais próxima e entrei na fila sorridente para comprar uma baguete, que por alguma razão eu nunca tinha experimentado até agora, e fiquei ali sorrindo esperando o pão enquanto lia as noticias do jornal. Parece meio bobo como pequenas coisas fora da minha rotina me deixavam bobamente feliz, mas é que eu tinha finalmente me dado conta de que tudo isso era mais importante do que sofrer por você.
    Sim, eu estou diferente, não porque terminamos mas porque eu quero me sentir diferente, ser diferente, mudar e me reinventar, e essa necessidade não vem de um pé na bunda, sinto que essa necessidade é antiga, que está aqui dentro bem antes de você chegar e que talvez tudo que você tenha feito foi catalisar a reação toda. Por isso não guardo mágoa, na verdade eu quero é te agradecer e muito, porque se não tivesse aparecido na minha vida eu não teria aprendido tanto sobre caras como você e não teria percebido que eu posso me tornar a mulher dos meus sonhos, forte, decidida e inabalável, sem precisar de você do meu lado e isso é tão reconfortante.
    Agora tenho muito mais tempo para mim, descubro lugares e vivo pequenas aventuras todos os dias sozinha e nunca pensei o quanto isso seria legal, aprender mais sobre mim coisas que nem eu sabia e nunca saberia se você ainda estivesse aqui. Estou me curtindo tanto que você nem faz mais falta e não estou me gabando disso, mas todos os dias pinto as cores que eu quero e tenho que te contar, minha vida nunca foi tão colorida. 
    Não me leva a mal, mas eu já não lembro mais o que eu gostava em você, não lembro o que eu sentia quando estava ao seu lado e nem sequer lembro do gostos dos teus beijos, tudo se tornou tão insignificante depois que você me abandonou que resolvi não ligar mais. Deve ter algo bom em você que tenha feito com que eu ficasse tanto tempo ao seu lado, juro como deve mas agora se me perguntarem eu não lembro mais, foi tudo apagado, as memórias, os carinhos, as brigas, os beijos, os aconchegos, as risadas, os choros, as fotos...tudo, só restou os erros do quais eu tenho tirado bastante lição, fora isso mais nada, nada que eu não possa absorver e levar comigo. Desculpa mas foi melhor assim para mim, para você e para aquele "nós" que eu tanto cuidava e agora não existe mais.
    Então não sei porque você ainda me procura, nem o porquê que ainda me liga às vezes no meio da madrugada se até quem me vê na fila do pão sabe que eu te esqueci...e estou muito bem sem você.
Beijos e até breve.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Somos reticências.

     Me perguntaram o que a gente era e eu não soube responder. Uma pergunta tão simples que me fez engolir seco, murmurá alguns sons procurando a palavra certa e enfim gaguejá: Somos amigos. Minha gagueira já tinha me entregado, pois os psicólogos afirmam que gagueira na maioria dos casos consiste em um comportamento de evitação, de fuga e frequentemente associado ao medo e nervosismo. Sim, tentei fugir daquela pergunta pelo medo da resposta, não éramos só amigos, mas também não sabia o que éramos de fato.
    Tem dias que ele me liga, se preocupa, brinca comigo e faz mil perguntas aleatórias com a desculpa de que adora passar o tempo falando comigo, no entanto também tem dias que ele nem olha na minha cara, não manda uma mensagem, é frio, mal humorado e grosseiro. É por causa dessa bipolaridade dele que o amo e odeio ao mesmo tempo.
    Mas o que nós somos de verdade? Lembro que tive a infeliz coragem de perguntar isso três vezes e em cada uma ele me deu uma resposta diferente. Na primeira disse que queria deixar fluir, na segunda, disse que eu era o amor da sua vida, já na última disse que tinha medo de se arriscar. Eventualmente, desistir de perguntar de novo.
    É o fato dele ser tão imprevisível e inconstante que me deixa louca, nunca quis pressionar nem apressar nada, mas acho que precisamos de alguma certeza e racionalidade, até para que nenhum dos dois fique perdendo tempo em relacionamentos desgastantes. Eu precisava saber se era "nós" ou apenas "eu e você".
    Perguntei pela última vez sem medo, e assim como eu, dessa vez ele não soube responder, ouvi só o seu silêncio, vi seu olhar perdido e aquilo me bastou, de todas as respostas anteriores essa foi de longe a mais clara e verdadeira que eu já tinha conseguido dele. Cheguei a dura conclusão de que somos reticências de um pretérito imperfeito esperando por um ponto final. 
Beijos e até breve.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

2016, pode vir quente que eu estou fervendo.



    Toda aquela pressa de final de ano, pessoas na correria para comprar, gente enfeitando a casa para a meia noite e nada daquilo me deixava nervosa mais. Um novo ano se aproximava e eu já não sentia aquele medo que eu sempre senti nos anos anteriores. A contagem regressiva começou e pela primeira vez em anos eu me senti entusiasmada e ansiosa, foi então que me dei conta que nunca estive tão preparada em toda minha vida 
    Nos anos anteriores sempre batia uma depressão pré-ano novo que eu nunca conseguia entender de onde vinha, passava pela minha cabeça todos os momentos que eu tinha vivido naquele ano e batia uma tristeza tremenda, não porque eram momentos ruins, pelo contrário, eram tão bons que eu não queria que acabasse, em todos os anos, eu nunca quis. Então eu sempre sentava na varanda do meu quarto com uma lata de refrigerante (que eu passava o ano inteiro evitando tomar) refletindo sobre o ano que passou e nada me doía mais do que lembrar de tudo aquilo no pretérito mais que perfeito. Acabara ali mais um ano, e mais uma vez sentira que passara rápido demais.
    Porém, esse ano foi diferente, foi o pior e o melhor ano da minha vida ao mesmo tempo: não pelas metas que consegui cumpri, mas pelos atalhos, acasos, pelas surpresas inesperadas, pelas tentativas sem cessar, pelas oportunidades agarradas, pelas pessoas que nunca pensei que conheceria, pelos caminhos errados, pela rotina quebrada, pela saída da minha zona de conforto e pela minha alma renovada.
    Percebi que as melhores coisas que aconteceram comigo esse ano foram aquelas que não estavam nos meus planos, que não eram minhas metas, mas que por algum motivo chegaram até a mim e mudaram minha vida de um jeito incrível, de uma maneira que tinha que ser mudada, essas surpresas me pegaram, deram uma sacudida aqui e me ensinaram que o lado bom da vida a gente não planeja e nem sequer imagina que vai acontecer. Se torna muito mais fácil quando a gente aceita que quanto mais controlamos a situação mais ela sai nosso controle.
    Por isso que esse ano eu estava ansiosa, porque é a primeira vez na vida que meu único plano é não criar planos, desistir de tentar controlar como vai ser esse novo ano e aceitar os acasos. Viver aquele velho clichê que diz que hoje é um novo dia de um novo tempo que começou...
    Eu nunca estive tão em paz comigo mesma.

Beijos e Feliz ano novo.